Terça-feira, 1 de Maio de 2012

Feriado até quando?


A esperteza saloia de Alexandre Soares dos Santos mete nojo aos cães da rua.

Manter as suas mercearias abertas neste dia feriado é uma decisão legítima, ainda que revele algum mau gosto. Anunciar um desconto absolutamente excepcional de 50% apenas no Dia do Trabalhador, é uma deslealdade para os seus concorrentes e revela, sem margem para dúvidas, uma agenda ideológica de combate a este feriado.



Quinta-feira, 12 de Abril de 2012

Portugal visto da Grécia

Vale a pena ler isto num jornal grego para perceber como somos vistos pelos nossos colegas de infortúnio. O artigo compila algumas opiniões de portugueses mais ou menos mediáticos sobre a crise económica, apontando causas e consequências sobejamente conhecidas. Nada de surpreendente quanto à essência, portanto.

Mas há alguns pormenores na crónica que, apesar do soturnismo desta temática, não podem deixar de nos dispor bem.

Vejamos que João Cantiga Esteves é apresentado como "a round-faced and amiable-looking professor at Lisbon’s Superior Institute of Economics and Management" e que o jornal de referência para os dados estatísticos apresentados sobre desemprego é nem mais nem menos do que o inatacável e cientificamente infalível "local daily Correio da Manhã"...

Ou seja, os gregos conseguem a proeza de falar da crise e fazer humor no mesmo artigo.

Tudo está bem quando acaba bem!

Os 11 arguidos do caso Portucale, ligado ao abate ilegal de sobreiros para a construção de um empreendimento imobiliário e turístico em Benavente, foram todos absolvidos.

Domingo, 1 de Abril de 2012

Rui & Rui, Lda.

Quem esteve na Biblioteca Almeida Garrett na passada sexta-feira percebeu que, se dependesse de Rui Rio, seria outro Rui, o Moreira, a suceder-lhe na presidência da Câmara Municipal do Porto.

É curioso assistir a esta aproximação entre os dois Ruis que, ainda há poucos anos, se combatiam ferozmente nas páginas do Público. Aqui está a prova de que Luís Filipe Menezes também consegue ser um agente político unificador.

Sábado, 9 de Julho de 2011

São os loucos de Lisboa


Na política, como no futebol, o que hoje é verdade amanhã é mentira. E já ninguém se surpreende com tamanha indignidade.

A nova legislatura, que agora inicia o seu caminho alicerçada sobre uma confortável maioria parlamentar de direita, cometeu já dois graves atentados à verdade. Denunciamos aqui essas flagrantes contradições discursivas.

1. As agências de notação financeira (vulgo "rating") não passam de um bando de malfeitores a soldo de obscuros interesses americanos, visando a destruição metódica e progressiva da moeda única europeia.

Haja memória, haja vergonha. Quem agora clama indignado contra estas agências fez, durante meses a fio, discursos inflamados de ataque à governação socialista, em que o principal barómetro usado era, precisamente, a queda sucessiva da notação financeira da dívida da república. Simplificando, até 5 de Junho as agências eram as entidades celestiais que nos avisavam dos delírios de quem nos governava. Eram, numa linguagem evangélica, "o Caminho, a Verdade e a Vida". Após 5 de Junho, a Direita assume os comandos da Nação e diz agora dessas agências o que Maomé não disse do toucinho.

("São os loucos de Lisboa / Que nos fazem duvidar / Que a Terra gira ao contrário / E os rios nascem no mar")





2. O imposto extraordinário lançado sobre o subsídio de Natal é inevitável e consitui uma decisão política de grande visão. Demonstra a capacidade de antecipação e a sagacidade do novo excutivo.

Bravo. Os visionários que agora pretendem criar esta almofada orçamental à custa de um imposto extraordinário são os mesmíssimos que, até ao dia 5 de Junho, consideravam inaceitável que o anterior executivo teimasse em equilibrar as contas públicas à custa dos sucessivos aumentos da receita fiscal e que não fizesse acompanhar essas medidas de uma redução efectiva da despesa pública. Pois bem, a primeira medida governativa do novo executivo foi... aumentar a carga fiscal... sem ter reduzido a despesa pública.

("Bem prega Frei Tomás, faz o que ele diz, não faças o que ele faz.")

Quarta-feira, 20 de Abril de 2011

"Em todo o caso fica o mais perto possível da coxia"

Um poema que retrata um País. 





Não te candidates, nem te demitas. Assiste.
Mas não penses que vais rir impunemente a sessão inteira.
Em todo o caso fica o mais perto possível da coxia.


Alexandre O’Neill, in "A saca de orelhas" (1979)

Domingo, 27 de Março de 2011

'A luta' é uma nova marca, pá!

Em 2011, até os símbolos revolucionários são marcas e estudos de caso. 

Haverá um melhor sinal dos tempos contraditórios em que vivemos?

Gerações...

A parva discussão geracional que se tem instalado na sociedade portuguesa não merece muitas linhas de prosa, mas há um argumento dos actuais pós-adolescentes que entendemos não ter ainda sido contestado com a necessária clareza.

Quando a autodenominada geração à rasca reclama para si o estatuto de juventude mais sacrificada, será que ignora os sacrifícios brutais impostos à geração dos seus próprios pais? Ou menospreza-os conscientemente?



Ei-los embarcados aos magotes, para combater em nome de um regime que os empurrava para a morte no auge da juventude. Tudo em nome de uma causa dita maior, que apenas fazia sentido para quem "combatia" a partir dos gabinetes do Terreiro do Paço.

Domingo, 28 de Novembro de 2010

Muros de Berlim


No Rio de Janeiro continuam a ser derrubados os novos muros de Berlim. A democracia não pode ter medo, não pode ser refém de narcotraficantes, não pode fazer concessões. É essa a obrigação de um governo do povo, pelo povo e para o povo.

Políticos portugueses não ouvem comendador Joe



As declarações de Joe Berardo à Lusa permitem, por um lado, perceber o estado de degradação moral atingido na África do Sul durante o apartheid e, por outro lado, admirar os resquícios de bom senso da classe política portuguesa.


Enquanto empresário, "nunca fui chamado para ser ouvido pelos políticos" e para discutir com eles o que deve ser feito pelo país, lamenta o comendador, recordando que quando viveu na África do Sul, era um dos empresários conselheiro do presidente daquele país.

Fight Club


O antigo ministro socialista Vera Jardim defendeu uma remodelação governamental, com vista à criação de uma “equipa de combate” para os tempos que se avizinham. Continua a clássica confusão entre mudar de políticas e mudar de políticos. Parece ser a mesma coisa, mas não é.

Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

O Negociador




Sempre que me falam dos brilhantes negociadores do nosso Orçamento do Estado (OE) lembro-me do filme “The Negotiator”. A sinopse é também ela curiosamente metafórica das negociações do OE:

Danny Roman é um especialista da polícia de Chicago em questões relacionadas com reféns. O seu papel é acalmar o sequestrador e levá-lo à rendição. Danny é um excelente profissional e, cada vez mais, é visto como um herói, até que um dia se torna vítima de uma conspiração em que tudo se inverte e o negociador passa a ser o sequestrador.

Quinta-feira, 30 de Setembro de 2010

Escalada da violência entre EUA e Irão


A notícia que marca a semana é sem dúvida esta: EUA embargam pistácios iranianos.


“O presidente Barack Obama decretou um embargo aos pistácios iranianos como resposta às políticas nucleares do Irão.”

Os EUA replicam assim com oleaginosa violência à iminente ameaça iraniana de um holocausto nuclear. Este conceito invulgar de proporcionalidade é uma revisão da célebre e milenar lei de talião, agora redigida como “olho por olho, ogiva por pistácio”.

Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010

Confronto entre romenos e ciganos em escola de Braga




Ora aqui está uma manchete do Expresso que Sarkozy teria sérias dificuldades em entender, ainda que soubesse ler em português. Para o actual presidente francês, falar de “confrontos entre romenos e ciganos” é no mínimo tão redundante como falar de “confrontos entre pretos e negros”, “confrontos entre vagabundos e meliantes”, "confrontos entre pedintes e mendigos", etc.

Sexta-feira, 17 de Setembro de 2010

Bora privatizar a RTP?



Pela primeira (e provavelmente última) vez o Hoje Há Tripas subscreve integralmente uma posta do 31 da Armada. Mais precisamente, esta. O assunto é o manifesto de Arons de Carvalho sobre a proposta do PSD para a privatização do serviço público de radiotelevisão.

Dada a profunda convergência de opiniões entre ambos os blogues, admitimos aos nossos leitores alguma preocupação com a sanidade mental de uma ou de outra parte. Mas sosseguem quanto aos restantes temas, pois a divergência continua a ser férrea.

O revisor monárquico



Paulo Teixeira Pinto, ex-presidente do BCP e líder da Causa Real - acedendo a um convite pessoal de D. Duarte Pio - deu a 2 de Fevereiro de 2008 uma esclarecedora entrevista ao Diário de Notícias, da qual destacamos a seguinte passagem:

"Isso [a forma republicana do regime] nunca devia ter ficado escrito na Constituição, eu fui a primeira pessoa a levantar a questão há uns anos e pretendo voltar a fazê-lo. Quando há uns anos falei com vários deputados apercebi-me da receptividade deles para alterar o limite da natureza republicana de regime para natureza democrática de regime. Hoje há muitos mais adeptos desta solução."


Pois foi precisamente este “monárquico desde que se conhece” que Pedro Passos Coelho (PPC) sapientemente escolheu em 2010 para liderar a comissão de revisão constitucional do PSD.

Não se arranjaria nenhum republicano para liderar este ambicioso projecto que basicamente consiste, segundo o próprio PPC, em "limpar termos, palavras e clarificar” o texto da Constituição? É que afinal de contas, trata-se da Constituição da República (!) Portuguesa...

Terça-feira, 7 de Setembro de 2010

Prós e Contras – Casa Pia




O programa de ontem sobre o Processo Casa Pia foi mais um prego no caixão da credibilidade da Justiça portuguesa. Percebeu-se claramente que o programa já tinha emissão assegurada, fosse qual fosse o resultado da sentença. Os motes também já estavam decretados.


Cenário 1 (Se os arguidos fossem absolvidos):

“Casa Pia – O braço da Justiça é sempre curto para apanhar os ricos e poderosos?”


Cenário 2 (Se os arguidos fossem condenados):

“Casa Pia – A Justiça condenou os ricos e os poderosos para encobrir os ainda mais ricos e poderosos?”

Alguém tem coragem de chamar serviço público de televisão a este jornalismo rasteiro? Alguém ficou esclarecido com os depoimentos de trampa que se ouviram de parte a parte? O programa serviu para alguma coisa, para além de dar ainda mais tempo de antena ao arguido mais mediático? Será possível discutir na praça pública, durante horas, uma sentença judicial sem sequer conhecer o respectivo acórdão? Na Justiça também se deve dar protagonismo a treinadores de bancada? É este o País que queremos?


Segunda-feira, 26 de Julho de 2010

O inimputável





Mais uma intervenção que, mais do que sono, induz o vómito. Algumas pérolas:


«Ou o PSD de Lisboa é solidário connosco ou, então, passem bem, muito obrigado, porque o nosso partido é a Madeira»

«Eu não admito que (...) haja uns indivíduos, só porque estão em Lisboa, só porque estão lá metidos naquela política medíocre, se atrevam a negar aquilo que a Assembleia da Madeira determinou»

«É preciso vir para a rua, para as praças, fábricas e escolas exigirmos que Portugal tenha a mudança que todos os portugueses merecem»

«José Sócrates [é] o maior vendedor de ilusões da História da democracia portuguesa»

Sexta-feira, 2 de Julho de 2010

Excitação maníaca ou depressão melancólica


Existe na sociedade portuguesa - e muito provavelmente noutras que conhecemos pior - uma propensão quase inata para a ciclotimia*. Conforme se escreveu aqui no HHT acerca de eventos como a Expo 98 e o Euro 2004, também durante o Mundial 2010 se foi revelando esta particularidade lusitana.

Até o português mais distraído percebia que, no final do primeiro jogo (Portugal: 0 - Costa do Marfim: 0) se respirava uma atmosfera quase depressiva e que, passados escassos dias, no final do segundo jogo (Portugal: 7 - Coreia do Norte: 0), a atmosfera tornara-se superlativamente eufórica. Ah! Nada melhor do que um massacre de comunas para nos massajar o ego e elevar as expectativas. Agora sim... o céu é o limite!

Quer dizer... pelo menos, até à próxima derrota. Que aconteceu logo com a arqui-rival Espanha! Foi então que regressamos da África do Sul acabrunhados, embalados pelo triste fado que nos atiça a depressão melancólica. Quando o último jogador abandonou o Aeroporto da Portela, lembramo-nos subitamente dos episódios infindáveis de uma crise que, apesar da nossa euforia momentânea, nunca deixou de existir (aumento do desemprego, portagens nas SCUT, aumento do IVA, ...).

Mesmo não dominando os meandros da psique de massas, suspeitamos que esta ciclotimia radica, mais ou menos directamente, num défice de auto-estima. Curiosamente, este défice só raramente é perceptível, por se encontrar oculto sob um espesso manto de hiperidentidade. Nas palavras do incontornável Eduardo Lourenço, esta hiperidentidade dos portugueses traduz-se numa “quase mórbida fixação na contemplação e no gozo da diferença que nos caracteriza - ou nós imaginamos tal - no contexto de outros povos, nações e culturas”. Nem mais.

Pois se até o Sérgio Godinho se farta de cantar que “ só neste país é que se diz 'só neste país' ”.


* Ciclotimia (s. f.) - Constituição psíquica caracterizada pela alternância da excitação maníaca e da depressão melancólica; nas suas formas atenuadas, pode passar quase despercebida.

Sexta-feira, 25 de Junho de 2010

Ilhas gregas à venda

A Grécia está disponível para vender ou alugar a longo prazo algumas das seis mil ilhas para poder pagar a dívida, noticia esta sexta-feira o diário britânico The Guardian.



Quando esta moda chegar cá, não tenhamos ilusões quanto à vendabilidade da Madeira... Enquanto o Dr. Alberto João Jardim estiver incluído no lote a leilão, nem a pagar nos livraremos de tão bela ilha.

Segunda-feira, 21 de Junho de 2010

A propósito da vitória sobre a Coreia do Norte


7-0


Apesar do ruído ensurdecedor das vuvuzelas, no final do jogo conseguimos lembrar-nos de Eduardo Lourenço: “Portugal precisa dessa espécie de delírio manso, desse sonho acordado que, às vezes, se assemelha ao dos videntes e, outras, à pura inconsciência, para estar à altura de si mesmo”.

Quarta-feira, 2 de Junho de 2010

Alguém ficou surpreendido?

Interpretando este gráfico percebem-se melhor as declarações recentes de alguns banqueiros que (sem pingo de vergonha ou noção do ridículo) dizem agora com ar condoído e paternalista que temos todos de baixar o nível de vida (incluindo os ditos banqueiros, veja-se bem a desgraça).

Estes números provam que a espiral consumista que eles diligente e insistentemente promoveram durante as últimas três décadas chegou, sem glória e com algum estrondo, ao fim.

Agora, no rescaldo desta febre prolongada de irracionalidade colectiva, não será sem dor que famílias, empresas e bancos realinharão, num curtíssimo espaço de tempo, as suas necessidades com as suas reais possibilidades.

Quase todos sabiam que este dia ia chegar. Uns (bancos) enganavam, outros (clientes) pediam para serem enganados. Era um jogo com regras bem definidas e aceites por todos.

Sobre a ligeireza

Sem mais perguntas para o primeiro-ministro, o presidente da comissão de inquérito ao negócio PT/TVI pediu ligeireza ao relator João Semedo na elaboração do seu relatório.


Conhecendo o relator em questão, estamos certos de que a dita ligeireza abundará no relatório. Atentemos nos possíveis significados da palavra ligeireza:

s. f.

1. Rapidez de movimentos; agilidade.
2. Presteza.
3. Leviandade.


Vão por mim, apostem no terceiro.

Quinta-feira, 20 de Maio de 2010

Quarta-feira, 12 de Maio de 2010

O que se ouve em Santa Comba



«Deveriam repor o busto de Salazar que já cá esteve e valorizar o que é de cá», referiu, apontando como exemplo «o caso dos campos de concentração na Áustria, que todos os anos são visitados por milhares de pessoas».


Grande comparação pá! Realmente não há nada como dar o devido valor às coisas da terra e aprender com esses finórios austríacos. Esses sim, sabem promover o que é bom e típico da sua região!


Ora, não havendo campo de concentração em Santa Comba - o que se lamenta pois seria coisa para chamar muito povo - lá terão de improvisar umas excursões em redor da geografia natal do tiranete.

E os distintos senhores do Turismo de Portugal? Andam a dormir? Não toparam aqui um PIN (projecto de potencial interesse nacional)? Francamente...

Quinta-feira, 29 de Abril de 2010

Sexta-feira, 23 de Abril de 2010

Não te esqueças, Sancho.








"La libertad, Sancho, es uno de los más preciosos dones que a los hombres dieron los cielos; con ella no pueden igualarse los tesoros que encierra la tierra ni el mar encubre; por la libertad, así como por la honra, se puede y debe aventurar la vida.”

“El ingenioso caballero don Quijote de La Mancha”, Miguel de Cervantes.

Quarta-feira, 21 de Abril de 2010

Tardou mas chegou!

A prova de que JPP tem momentos, raros, de não-fanatismo:


No plano da democracia, já todos perceberam que eleições no contexto actual não mudam os dados da questão e, por isso, quer PS, quer o PSD actual traduzem essa consciência de adaptação ao pântano.


Nota: adivinha-se da transcrição supra o enorme carinho nutrido por JPP relativamente àquilo que ele designa por "PSD actual".

Segunda-feira, 29 de Março de 2010

Não há povoadores


Já aqui escrevemos sobre os custos indirectos do fecho de maternidades, centros de saúde, escolas do ensino básico e outros equipamentos públicos em zonas fustigadas pela desertificação humana.



Para além de tristeza, esta notícia não nos causa portanto qualquer surpresa. Tão importante como enviar novos povoadores para o interior abandonado, será impedir que os escassos habitantes que aí resistem decidam também eles rumar às cidades, onde não fecham escolas, nem maternidades, nem centros de saúde.


Pois é, manter um País povoado de forma equilibrada custa muito dinheiro. Mas a desertificação também!

Terça-feira, 23 de Março de 2010

Os 4 Mosqueteiros



O debate de ontem entre os quatro candidatos à liderança do PSD foi ruidoso mas, como se esperava, pouco esclarecedor.



Confirmou-se a suspeita de que são todos fraquinhos (por inexperiência uns e por incompetência outros) e manifestamente incapazes de assumir responsabilidades governativas nos tempos mais próximos.


(Nota: Em termos de incompetência absoluta, é de elementar justiça reconhecer que Castanheira Barros se destaca dos restantes. A sua candidatura chega a ser embaraçosa até para quem não é militante nem simpatizante do PSD.)


O País e o PSD precisavam, agora como nunca, de um líder de nível superior, que combatesse lealmente e sem tréguas o actual Governo e que representasse uma alternativa séria e capaz de governação. Pelo que se viu e ouviu ontem, nada disso surgirá das próximas eleições internas.


Os únicos vencedores do debate foram portanto o PS e o CDS, que continuarão, e não por mérito próprio, a subir nas sondagens...

Quinta-feira, 18 de Março de 2010

Tolerância de ponto



Há tradições e tradições. Esta já não estará desadequada? Convém não esquecer que, durante largos séculos, a escravatura também foi tradicional. Até ao dia em que deixou de o ser.

No rescaldo da apresentação das medidas de austeridade do PEC, fará algum sentido tomar decisões destas? Será que, para termos mais estabilidade e crescimento, o contributo de  uma jornada de trabalho de todo o sector público português não é minimamente relevante?

Aceita-se e aplaude-se o argumento governamental de que a criação do novo escalão máximo de IRS tem um significado mais simbólico do que financeiro. Mas então... que dizer do simbolismo desta tolerância de ponto, decretada em plena crise?

Sexta-feira, 5 de Março de 2010

Comissão Europeia promete luta contra disparidades salariais

Por breves momentos, pensámos que esta notícia tratava do combate à disparidade salarial que subsiste entre trabalhadores portugueses e outros trabalhadores europeus.


Convenhamos que, face à abissal disparidade de produtividade que também existe entre Portugal e outros países europeus, o combate a essa desigualdade salarial teria tanto de popular como de ruinoso para a economia portuguesa.

Um dos males de vivermos nestes tempos conturbados é passarmos a acreditar que já tudo é possível. O disparate já não causa o espanto que causava.

Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010

Ainda se lembram?

memória é uma preciosa faculdade do ser humano (e de outros seres ditos irracionais). Por um motivo ou por outro, permite-nos manter presentes inúmeras caras e momentos. Reparei que aqui também gostam de cultivar a nossa memória colectiva. Bem hajam por isso.





 

Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2010

Ele ainda não foi processado pelo Sócrates?

Enquanto espera impacientemente pelo seu Watergate à portuguesa, Mário Crespo cumpre com diligência a sua vocação de comunicador nato. Desta vez levou o conceito de "infotainment" até à Assembleia da República.

Sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

Entrevista

Talvez excessivamente optimista, mas muito interessante esta entrevista de José Sócrates ao Libération, que encontrei referida aqui. Vale a pena destacar:


"Il faut que l’on m’explique en quoi notre situation est différente de celles des autres pays et en quoi elle est plus préoccupante."

"Si notre déficit a plongé, c’est parce que nous avons fait un effort budgétaire pour aider notre économie ébranlée par la crise mondiale. Il s’agit donc de dépenses justifiées."
"L’intervention de l’Etat a d’ailleurs fonctionné: le Portugal, comme la France, a été l’un des premiers pays à sortir de la récession technique, au 2e trimestre 2009, et avec l’une des plus fortes croissances de la zone euro. J’ai une vision instrumentale du déficit: il faut le creuser quand l’économie en a besoin."

"D’ailleurs, même l’opposition de droite a décidé de s’abstenir sur le vote du budget, ce qui est un geste de grandeur politique de sa part."

"Il est extraordinaire que les agences critiquent les gouvernements pour avoir dépensé l’argent qui a permis de sauver le système financier!"

Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

Só agora é que reparou?

O Prof. Silva Lopes acordou esta semana para a realidade da política portuguesa. Podem ler aqui o resultado.

Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010

"Linhas há muitas, seu palerma"



Relativamente ao “Caso Crespo” ocorrem-nos vários comentários, mas nem todos são publicáveis. É no entanto curioso notar o teor cocainómano que foi adoptado para intitular uma crónica ("O Fim da Linha"), cujo conteúdo é sobejamente delirante.  


Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010

É bruto!



Sob o título “Os tempos de Sócrates estão a acabar, mas a herança é pesada”, o nunca-menos-que-brilhante-filósofo Pacheco Pereira destila pela enésima vez um ódio desusado contra a governação socialista. O estilo literário destas farpas pretende ser o mesmo de Eça e de Ramalho mas, como o génio não é suficiente para tanto, o resultado é previsivelmente pífio. Transcrevemos algumas passagens mais verrinosas e alertamos os pacientes leitores para o neologismo “entourance” que, salvo melhor informação, será da autoria do próprio Pacheco Pereira.



Os tempos de Sócrates estão a acabar, esgotados, encurralados, perdidos na nuvem de arrogância do "animal feroz", na amoralidade da sua política, na mentira total em que transformou toda a actividade governativa, na impotência face a uma crise nacional que agravou e uma crise internacional que ignorou, adiou e, por isso mesmo, também agravou. (...) E quanto mais Sócrates se enterra na negação do real, mais este lhe bate à porta. Até o próprio parece começar a aperceber-se disto, e a responder a este fim dos tempos numa fuga em frente obstinada, porque é da sua natureza, mas confusa e caótica. (...) Já toda a gente percebeu tudo isto menos os intelectuais orgânicos "socráticos", um conjunto modernaço de gente que tem o coração no Bloco de Esquerda, mas a carteira no PS, ou melhor, no gabinete do primeiro-ministro. Gente que pouco preza a liberdade mas que tem acima de tudo um enorme fascínio pelo poder como ele se exerce nos dias de hoje, entre o culto da imagem, o pedantismo das causas "fracturantes", o vanguardismo social, o "diabo que veste Prada" ou Armani, e o "departamento dos truques sujos" à Richard Nixon, tudo adaptado à mediania provinciana da capital. A ascensão ao poder de uma geração de diletantes embevecidos com os gadgets, pensando em soundbites, muito ignorantes e completamente amorais, que se promovem uns aos outros e geram uma política de terra queimada à sua volta, é a entourance que o "socratismo" criou e vai deixar órfã. (...) Exemplos sobre exemplos desta degenerescência aparecem todos os dias. Já não são bonitos de se ver os tempos da crise do "socratismo", mais ainda vão ser piores os tempos da queda do "socratismo". Claro que isto é tudo a superfície efémera. O fundo é a perda de competitividade da economia portuguesa, o défice descontrolado, a dívida que ninguém sabe como vai ser paga, o desemprego e o empobrecimento dos portugueses, o país cada vez mais longe da Europa. Mas a superfície traduz um ambiente, uma ecologia, um "estado" de podridão. Na verdade, como a sabedoria popular dos provérbios afirma, o peixe apodrece pela cabeça.



Nota: Entende-se perfeitamente a argumentação de JPP. É um facto histórico que, quando o PSD esteve no Governo, a coisa pública foi exemplarmente gerida por gente séria, capaz e dedicada (aliás, como ficou comprovado com a distinção atribuída recentemente ao ex-PM Pedro Santana Lopes, pelos altos serviços prestados à Nação). Esperemos então que o PSD regresse rapidamente e em força ao poder, para endireitar o que ainda restar do País.

Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

Mais uma Campanha Alegre



Já muita água correu debaixo das pontes, desde que aqui se escreveu sobre o “charme do último candidato romântico” (28.09.2005).


A concretizar-se, o apoio do PS à segunda candidatura presidencial de Manuel Alegre será um erro político. A forma como Alegre exerceu o seu último mandato de deputado, com frequentes manifestações públicas de discordância relativamente à estratégia da governação socialista, foi penalizadora para o PS e não contribuiu para a estabilidade política de que o País necessitava para empreender ambiciosas reformas.


Em momentos críticos, Manuel Alegre representou a oposição mais obstinada ao cumprimento do mandato que os portugueses, bem ou mal, confiaram maioritariamente a José Sócrates. A avaliação dos professores, o código do trabalho, a co-incineração e tantos outros temas, foram objecto de conflitos internos que, não raras vezes, resultaram na dissidência de votos entre a maioria parlamentar socialista. A “ala alegrista” constituiu uma constante preocupação nos momentos de contagem de votos. Estariam a favor ou contra as propostas do seu próprio partido?


Importa ainda perceber que o milhão de votos que recebeu nas presidenciais de 2006, mercê de circunstâncias anormalmente favoráveis, não lhe pertence por inteiro. Circunstancialmente, surgiu como o candidato da esquerda, muito por falta de adversário credível, em boa medida devido à absoluta falta de oportunidade da candidatura soarista.


É muito provável que os melhores candidatos socialistas (Guterres, Gama e, quem sabe, Sócrates) se estejam a guardar para as presidenciais de 2016. Haverá no entanto outros candidatos disponíveis para concorrer em 2011 e que, no actual cenário, garantiriam no mínimo uma disputa renhida com Cavaco Silva.


Uma decisão incompreensível.

Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010

Sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo



Existem dois textos do João Carlos Espada que julgo colocarem a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo nos seus devidos termos, isto é, sem excessivas colagens políticas ou religiosas. Um deles foi publicado aqui e o outro ali.

Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

Varanda

A anunciada visita papal à Invicta encerra desde já um mistério. Será que o Dr. Rui Rio, tão cioso da sua independência relativamente a outros poderes que não os políticos, irá disponibilizar a municipal varanda a tão ilustre visitante?

Ou será que não quer mesmo "misturar" a política com a religião, da mesma forma que não quis, ainda que de forma inusitada, "misturar" a política com o futebol? Aguardemos pelos próximos disparates fluviais...


Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

A Bíblia segundo Saramago



É no mínimo curiosa a atracção vertiginosa deste comunista pelas tão pouco marxistas técnicas de marketing. Que Deus e Marx o perdoem.

Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Mudança de mote

Durante as recentes arrumações efectuadas neste blogue, decidiu-se também mudar o mote que o acompanhava desde a fundação (26.09.2003).

Assim, o niilista, pretensioso e francófono "Si le noir est symbole d'obscurité, ceux qui écrivent pour être clairs ont tort" foi substituído pelo metódico e aristotélico "A dúvida é o princípio da sabedoria".

Duvidemos pois.

Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Andamos a brincar aos Presidentes?





Retomando o post de 25.09 sobre o Trapezista de Belém, conclui-se agora que o PR apostou numa dupla. De facto, o sinuoso discurso aponta para o cenário a) mas também para o cenário b).

À cautela, o PR fez questão de dizer algo e o seu contrário sobre cada um dos assuntos que tão atabalhoadamente abordou. Por um lado acha que Fernando Lima está inocente, mas por outro mandou afastá-lo da assessoria de imprensa. Por um lado acha que está sob escuta, mas por outro decidiu esperar semanas para confirmar essa gravíssima suspeita. Por um lado acha que os seus assessores não participaram em promiscuidades partidárias com o PSD, mas por outro acha que para os jornalistas saberem isso é porque andaram a escutar o PR.

Para partilhar estados de alma e formular insinuações graves mas sem qualquer evidência palpável, pede-se que Cavaco Silva descarregue a bílis em família, poupando assim o País a tamanha expectativa (antes do discurso) e a tamanha frustração (após o discurso).

Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Candidato cigano do CDS-PP apanhado a furtar palha




A notícia que desafia duplamente a teoria das probabilidades. Qual a probabilidade de um candidato do CDS-PP ser apanhado a roubar (apenas) palha? E qual a probabilidade de um candidato do CDS-PP ser de etnia cigana? Com coincidências destas vou ali jogar no Euromilhões e já volto. É “provável” que ganhe o primeiro prémio.

Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

O Trapezista de Belém

Adivinham-se tempos de grande contorcionismo discursivo por parte da Presidência da República.

A tendenciosa manchete do jornal Sol já aponta nesse sentido ao afirmar que, afinal, Cavaco Silva mantém a confiança política em Fernando Lima, apesar de o ter demitido súbita e silenciosamente da assessoria de imprensa (“a sua substituição tem pois que ver com razões operacionais e não com qualquer penalização ou perda de confiança por parte de Cavaco Silva”).

No dia seguinte às eleições começará portanto o arriscado número de trapézio, sem rede, em que o presidencial artista tentará convencer os portugueses de uma de duas improváveis realidades:

a) Fernando Lima está “inocente” e foi retirado de funções apenas por uma questão operacional de controlo de danos.

b) Fernando Lima é “culpado”, mas agiu por iniciativa própria e sem dar conhecimento ao Presidente da República.

Se a primeira hipótese já é incrível, a segunda então é do domínio da mais pura comédia. Aguardemos.

Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Sobre o estado civil da culpa dos acidentes

Numerosos escribas da nossa praça têm manifestado uma autêntica sanha persecutória na sequência da tragédia da praia Maria Luísa. Recorde-se que, neste local, pereceram cinco turistas soterrados pelos escombros de um rochedo.

A principal preocupação manifestada por estes plumitivos tem sido, desde o primeiro instante, encontrar a cabeça a degolar. O cordeiro a sacrificar em altar público, para alívio da consciência colectiva.

O facto de a área do acidente se encontrar claramente sinalizada pelas autoridades como sendo de acesso proibido, precisamente devido ao elevado risco de derrocada (!), é-lhes perfeitamente indiferente e convenientemente ignorado nas crónicas.

Houve mortos ergo há que encontrar os culpados... para que “a culpa não volte a morrer solteira”. Para os neoliberais, mas não só, é bom de ver que o culpado também aqui será o Estado. Aliás, o Estado perfeito seria aquele que nacionalizasse os nossos defeitos e que privatizasse as nossas virtudes. Que nacionalizasse os prejuízos da gestão privada e que privatizasse os lucros da gestão pública. Também aqui, o facto de estes balanços nunca poderem bater certo é-lhes perfeitamente indiferente e convenientemente ignorado nas crónicas.

Por fim, e não menos esclarecedora, é a flagrante contradição encontrada nos comentários efectuados a outro tema da actualidade: as medidas governamentais de prevenção e resposta à pandemia de Gripe A são por estes consideradas excessivas, dramáticas e até atentatórias de certas liberdades individuais. Aqui, torna-se-lhes evidente que o Estado peca por excesso de zelo e que se intromete mais uma vez na esfera individual dos cidadãos. Espantoso.

Todavia, na eventualidade de, também em Portugal, ocorrerem mortes resultantes da pandemia de Gripe A, serão novamente os primeiros a apontar baterias para os culpados do costume. Afinal, nem todas as medidas tinham sido tomadas pelo Estado e, lá está, “a culpa não pode morrer solteira”.

Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009

Pérolas de pré-campanha - II

O candidato 3 em 1. Pague menos, leve mais.

Pérolas de pré-campanha - I


Não especularemos sobre a fisionomia do candidato e uma conhecida e meritória instituição local. Mas temos de enaltecer a coragem política de um candidato do CDS-PP que adopta um conhecido slogan comunista.

Quinta-feira, 30 de Julho de 2009

O choro e o riso

Senhor perdoai-lhes, porque eles não sabem o que fazem.

E, por falar nisso, nós também não sabemos com que dinheiro pagam tudo o que fazem.

Todavia continuem firmes, "novos democratas". A luta é inglória mas a diversão é assegurada.

Velha Democracia

O regime democrático madeirense tem particularidades que só uma análise profunda da idiossincrasia insular poderia ajudar a explicar.


O estilo truculento e irresponsável da governação madeirense começa a contagiar a oposição, designadamente o PND, que consegue a proeza de ser mais "extravagante" do que o próprio Alberto João Jardim.


Agora inciou-se uma nova fase na contenda. Como os jogos florais já se estavam a tornar monótonos, eis que uns decidem enveredar pela aeronáutica civil (por enquanto) e outros decidem responder a tiros de caçadeira. A coisa promete...

Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

"Assim se vê a força do Pê Cê!"

Afinal quem se mete com o PCP também leva. Jorge Coelho ("Quem se mete com o PS leva") e Augusto Santos Silva ("Eu gosto é de malhar na Direita") são as novas musas inspiradoras dos comunistas (na sua "soi-disant" versão CGTP). Hilariante se não fosse trágico!

Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

De volta

O HHT estará de volta brevemente. Talvez mesmo antes da repetição do referendo irlandês ao Tratado de Lisboa.

Quarta-feira, 18 de Abril de 2007

Independentemente

Independentemente da matéria de facto que venha a ser apurada sobre as condições em que foi obtida a licenciatura de José Sócrates, a nódoa agora lançada, tal como ele dizia a Santana Lopes quando este era primeiro-ministro, nunca será apagada. E ele sabe-o.

Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007

Aquecimento Global e Antiamericanismo


O Homem-a-Dias, apesar de divergir claramente do HHT em várias matérias (em boa verdade, em quase todas) é linkado por este blogue desde os seus primórdios. Admitimos algum fascínio pela abordagem desempoeirada e contra-corrente que não raras vezes lá encontramos. Desta feita porém não conseguimos deixar passar sem um comentário o extraordinário post sobre o aquecimento global. Apetece contestar cada parágrafo e argumentos não faltam para o fazer. Escasseia o tempo e por esse motivo apenas transcrevemos e comentamos algumas das passagens mais hilariantes:

O curioso é que, ao contrário do Holocausto, o aquecimento global é uma mentira. Os peritos que não receiam pelos seus empregos ou, no futuro, a prisão, têm demonstrado com regularidade os delírios que os funcionários políticos do IPCC, os académicos e os ecologistas em geral produzem em troca de fundos e proeminência.

Nota 1: Concordamos que a IPCC é uma organização obscura e muito pouco amiga do rigor científico, mas mal de nós se o valor de uma causa fosse determinado apenas pelo prestígio de um dos seus defensores.

Mas não importa acertar. Importa juntar dados desconexos a fim de estabelecer a "evidência" do apocalipse climático e, não esquecer, acrescentar-lhe a "responsabilidade" humana. Porquê? Nada de novo: porque todo o exercício visa atacar as sociedades industriais, leia-se o capitalismo, leia-se os EUA e os seus aliados.

Nota 2: Como é que não percebemos logo que se trata de uma conspiração entre académicos, ONG’s, políticos, ecologistas e outros malfeitores quejandos? Isto sim é rigorosamente verdade e pode com toda a facilidade ser provado pelo Homem-a-Dias. Por ser tão evidente é que nem precisou de apresentar nenhuma prova que suporte tal afirmação.

Terminada a Guerra Fria, a orfandade levou alguma esquerda a acolher a selvajaria islâmica emergente (incluindo, claro, a "causa" palestiniana). Nos momentos de delicadeza, a esquerda manipula idiotas úteis (ver Gore, Al) e segue a alternativa ecológica: o aquecimento global, essa portentosa fraude, é a via "verde" e "despoluída" do antiamericanismo de sempre.

Nota 3: "and now for something completely different" aqui temos "os vermelhos" a orquestrarem todas estas campanhas.


Importa esclarecer os mais incautos de que, ao contrário do que diz o Homem-a-Dias, as provas científicas apresentadas até ao momento demonstram claramente que o aquecimento global é induzido e/ou potenciado pela actividade humana e a mesma causa se atribui ao aumento da frequência de ocorrência de fenómenos climáticos extremos como sejam ciclones, chuvas diluvianas ou secas extremas. Entre as consequências mais evidentes do aquecimento global encontra-se o aumento contínuo do nível médio das águas do mar, que vai paulatinamente engolindo a nossa costa. Se o Homem-a-Dias for como S. Tomé, admitirá contrariado o seu erro de apreciação quando o mar lhe entrar por Matosinhos. As imagens da Costa da Caparica ainda não foram suficientes.

Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2007

Os Grandes Portugueses


Quase tudo o que me ocorre escrever sobre essa bizarra competição televisiva foi antecipado pelo POS. Por economia de espaço e de esforço aqui fica o link. A ler com atenção.



Nota: quanto à evolução dos resultados, o facto de Cunhal e Salazar serem os mais votados até ao momento diz quase tudo sobre a validade deste tipo de exercícios. O programa está ao nível dos inquéritos telefónicos durante o telejornal da TVI "Se acha que o Sargento Luís Gomes deve ser libertado, marque 1; se acha que o pai biológico deve ser enforcado, marque 2; se acha que o juiz que ditou a sentença deve ser espancado, marque 3; se acha que quem faz estes inquéritos idiotas só pode ser anormal, marque 4".

Quinta-feira, 25 de Janeiro de 2007

Ribeiro e Castro - Um referendo, dois pesadelos...


Não vão ser fáceis os próximos dias de Ribeiro e Castro. Para além de uma previsível derrota no referendo à despenalização do aborto, esperam-no ainda declarações explosivas de Paulo Portas sobre a actual liderança do CDS-PP. Não se augura um Fevereiro auspicioso para o ainda líder cinzentão, perdão... centrista.

Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2007

Vá, despachem lá isso!


Já todos percebemos que o futuro do Iraque passará inevitavelmente pela venda a retalho... mais precisamente, em 3 retalhos. A saber, mais Iraque menos Iraque, será criado o Iraque curdo, o Iraque sunita e o Iraque xiita.
Posto isto, e atendendo às estatísticas literalmente esmagadoras dos atentados que são executados diariamente, daqui lançamos o repto à administração Bush: assumam (ainda mais) claramente a asneirada, retalhem aquilo de forma equilibrada e, se possível, coloquem no poder governos "amigos" que vos permitam continuar a "sacar-lhes" o petróleo a preços que paguem, pelo menos, as despesas deste acto tresloucado de invadir um país soberano baseado em provas que, já então se sabia, serem inexistentes.
Em suma, a recente tendência republicana face ao conflito é assumidamente de "go big". Aconselhamos modestamente uma rápida transição para o "go away and fast". Quanto ao futuro, incerto como todos os futuros, poderemos afiançar que pior é quase impossível!

Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2007

Execução de Saddam

Já muito se escreveu neste blogue sobre a pena da morte, independentemente de quem seja a vítima ou o carrasco.

Não é justificável, não é equilibrada, não é exemplar, não é justa, não é civilizada, não é digna e não pode ser tolerada. Até quando continuaremos a assistir a imagens da barbárie?

Há quem se indigne com a transmissão das imagens. Pena é que não se indignem antes de tudo o resto com o acto em si.

Visita presidencial à Índia

O hábito de os convidados pagarem as suas próprias despesas parece de elementar justiça, mas pelos vistos era até agora pouco frequente. Ao Presidente da República compete promover e facilitar os contactos empresariais, mas não oferecer viagens nem estadias. Cavaco esteve bem neste aspecto e também na pré-selecção a que submeteu os convidados. Só foram aqueles que demonstraram interesse e capacidade para penetrarem no mercado indiano.

Quinta-feira, 30 de Novembro de 2006

Militares e polícias na rua...

Mas ainda há dúvidas sobre a justiça dos castigos aplicados aos militares que passearam/desfilaram/piquenicaram em protesto (mal) camuflado contra o Governo? Afinal estavam à espera de quê? De palmadinhas nas costas das chefias militares e do Ministro da Defesa? É incrível o ponto a que chegou o desrespeito pela autoridade do Estado!

Temos assistido, incrédulos, a militares nas ruas a desafiarem as ordens expressas das respectivas chefias e a polícias em locais idênticos a chamarem "aldrabão" ao primeiro-ministro e até a reclamarem o "direito à greve"...

Mas será que não percebem que sendo representantes da autoridade não se podem colocar a si próprios em tais situações, digamos, pouco edificantes? Hoje estão na rua a atacar o Estado e os seus governantes e amanhã estão na mesma rua a prender ou a autuar quem desrespeita a autoridade do Estado? Com que "cara"?

Nunca se assistiu a ditaduras que evoluíssem naturalmente para democracias, mas o contrário vem nos livros. E os primeiros sinais eram deste tipo.

Sexta-feira, 17 de Novembro de 2006

Santana Lopes (o livro e a entrevista)

É surpreendente (ou talvez não) a incapacidade de Pedro Santana Lopes para reconhecer os seus próprios erros.

Um ano depois de ter sido demitido de funções, ainda acredita na existência de uma conspiração objectiva para o derrubar, que envolvia figuras destacadas do seu partido, o então Presidente da República, todos os partidos da oposição, comentadores políticos, jornalistas, sindicalistas, domésticas, psicólogos, bombeiros, médicos, cantoneiros, taxistas, cozinheiros, economistas, torneiros mecânicos, engenheiros, costureiras, marceneiros, dactilógrafas, estivadores, advogados... Enfim, toda uma sociedade que - por maldade uns e por ignorância outros - não se soube mostrar grata por ser conduzida por tão brilhante e esclarecido líder e desencadeou a demissão.

Mas o seu livro aí está (segundo palavras do próprio PSL, ontem já ia na 2ª edição!) para deitar por terra todas as calúnias levantadas por esse bando de conspiradores ingratos que dão pelo nome de portugueses.

PSL espera que a história lhe faça justiça, nós também! Que os líderes do futuro aprendam com os erros do passado.

Segunda-feira, 6 de Novembro de 2006

Prós e Contras


Todos os partidos de poder, quando atravessam o deserto (leia-se: quando estão na oposição) perdem uma grande parte da sua capacidade de discernimento. O PSD veio agora a terreiro queixar-se da presença constante de ministros socialistas no programa Prós e Contras e do facto de não terem sido convidadas fuguras do PSD para esgrimir o contraditório.

Ora, se bem me lembro, as oposições costumavam queixar-se do autismo dos governos, que não apareciam a justificar as medidas impopulares, que não se sujeitavam a debates públicos (muito menos em directo e em canal aberto!), que não ouviam as partes contrárias, que isto e que aquilo. Pois bem, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades... e o PSD vem agora lamentar-se da presença frequente de membros do governo na televisão!

Por muitos defeitos que o programa televisivo em apreço possa ter, não pode ser apodado de favorável ou laudatório dos ministros que o frequentaram, até porque não raras vezes estes têm sido confrontados com plateias maioritariamente hostis e nem sempre bem esclarecidas sobre os assuntos em discussão.

Quanto ao facto de o PSD nem sempre ter estado representado na parte contrária, grave seria se não houvesse parte contrária! Como nos tempos em que Cavaco Silva era primeiro-ministro e só aparecia na televisão para ler comunicados, sem direito a perguntas dos jornalistas e muito menos a contraditório por parte de membros da oposição. Haja memória...

Terça-feira, 10 de Outubro de 2006

Haja saúde!

O histórico buraco financeiro do Ministério da Saúde tende a ensandecer os ministros que o tutelam. A mais recente invenção de Correia de Campos para obter fundos evidencia um desespero absoluto. Não é que pretende criar uma taxa moderadora ("taxa de utilização" nas palavras do senhor ministro) para cirurgias e internamentos? Como se fosse humanamente possível moderar a doença que se contrai ou o acidente que se sofre!

Se a intenção for acabar com o Serviço Nacional de Saúde tal como o conhecemos e tal como está consagrado na Constituição da República Portuguesa, é necessário dar a cara e assumi-lo! A pretexto de obter "mais alguns tostões" (nas palavras do próprio ministro) é que não se podem realizar estes ataques encapotados a direitos constitucionalmente garantidos.

Termino com votos para o Senhor Ministro idênticos ao do personagem televisivo Frasier: "Good night and good mental health".

Terça-feira, 12 de Setembro de 2006

Ainda sobre a coabitação


Para quem temia a coabitação Cavaco / Sócrates, o HHT apresenta a prova que faltava. Afinal um deles é especialista na área do imobiliário...

Quarta-feira, 9 de Agosto de 2006

Corridas


O País congratula-se com mais uma vitória, brilhante, do corredor luso-nigeriano Francis Obikwelu. Apesar de ter nascido na Nigéria e viver actualmente em Espanha, admito que possamos sentir algum orgulho por este talentoso atleta ter escolhido a nossa bandeira para abraçar no final de cada triunfo desportivo além-fronteiras. É algo que não me choca minimamente.

Choca-me no entanto que todos os anos milhares de portugueses também talentosos - ainda que em áreas não desportivas como a química, a física, a microbiologia, a engenharia... - se vejam forçados a abraçar outras bandeiras que não a nossa. O esforço organizacional e financeiro para criar condições de trabalho a estes portugueses é muito grande mas tem de ser feito agora. É importante que os nossos licenciados trabalhem algum tempo lá fora, aprendendo com experiências profissionais e académicas eventualmente mais "evoluídas", mas igualmente importante é que se criem condições para o seu regresso em tempo útil.